28.8.25

Retratos - poema autoral

Apaguei a luz e me sentei. 

Quando comecei a pensar

percebi que esse tempo perdido

em um livro

seriam capítulos sombrios de minha dramática história de vida.  

Reflito…

não consigo e não posso voltar atrás, 

meu eu está escondido 

não o encontro 

e não vejo nada a ser feito a não ser 

agarrar-se ao que ainda não virou nada.. 

Olhe por dentro dos meus olhos… 

veja minha alma perdida

veja essa tristeza finalmente assumida…

Não sei até quando aguentarei tudo isso, 

ao perceber que nada é como dizem 

e que não é fácil, 

percebo também que eu preciso de um lugar para me esconder… 

por isso escrevo agora.. 

eu não estou sumido, eu mudei de lugar

me coloquei nas palavras.. 

Quero olhar essa dor

enxergá-la de fora

machucá-la e chorá-la, 

corroê-la, 

abafá-la, 

quem sabe sofrê-la

... e.. passá-la.. 

há quem diga que todo poeta é triste… mesmo que nem todo triste seja poeta.. 

pois bem...

não faço diferente...

olhando esses retratos...

procurando o meu eu despedaçado...

sou triste também


23.8.25

Prosa poética - Diferente na minha normalidade - autoral.

O natural é gostar do normal, mas, convenhamos, o normal não surpreende ninguém, por isso, gosto mesmo é do novo, do estranho, diferente, aquele que causa curiosidade. Aquele que deixa a pulga atrás da orelha, que te faz refletir, repensar, essa sou eu, diferente da maioria, parecida com alguns, um enigma para muitos. Gosto de escrever e escrevo de tudo. O que sinto, o que não sinto e o que já senti, retalhos de conversas, espaços de momentos, tudo cabe dentro das minhas linhas. Você pode se encontrar e se perder nas minhas linhas… o texto, depois de pronto, é seu. O tempo decerto mostrará quem sou. De certeza, só posso dizer o que eu faço e, bom, eu escrevo.


Identidade

É uma mistura de espinhos e 

delicadeza

por isso gosto das rosas

elas parecem comigo. 


18.3.23

JANEIRO - Eu li "É assim que acaba" da Collen Hoover


Quase no finzinho de Janeiro, por causa de um aluno, eu li "É assim que acaba" da Collen Hoover, sim, por causa de um aluno, você, Ricardo, que acaba sempre fazendo eu sair do meu habitat natural que, no momento, é minha estante, para me aventurar nesses romances tiktokeados  que estão sendo os queridinhos das multidões no presente momento. É, meus caros, nunca digam "dessa água não beberei" ou nesse caso "Essas páginas não folhearei" 😂 Eu sou meio chatinha pra ler livro quando ele está "na moda" e, nesse momento, eu nem deveria ler algo tão atual sendo que tenho uma estante toda me aguardando, mas... enfim, depois de muitos pedidos, me rendi. É o seguinte, confesso, inicialmente que esperava algo a mais, esse livro estava, ou está ainda, não sei... tão hypado, tão famoso, que eu achei que era uma história deslumbrante. Pois bem, isso que dá ir com muita sede ao pote. De imediato, eu achei a escrita simples, fácil de ler, fluída, por assim dizer... reclamei no skoob dizendo que esperava algo a mais e fiquei muito, muito chateada ao perceber que o sucesso do livro com as pessoas que eu conheço, acontecia pelos motivos errados, pelos hots que o livro apresenta, pela sensualidade de Ryle... achei isso ridículo. E chorei, chorei quando terminei e, um adendo, o final, a última página, literalmente, o último parágrafo foi a melhor parte do livro para mim... chorei quando terminei não só pela atitude de Lily, na verdade, me dei conta que, na vida real, não existem muitas Lilys, que aquela personagem, que apesar de ser extremamente apaixonada, conseguiu acabar com o ciclo ante que ele acabasse com ela não é muito comum na vida real, você com toda certeza, conhece mais pessoas diferentes de Lily do que iguais. Confesso que esse livro, apesar dos pesares, me mudou e, graças a Deus, eu não precisei analisar a minha própria situação pra isso, a mudança não foi nesse sentido, o que quero dizer é que, lendo, junto com Lily, eu fui percebendo que eu fazia os mesmos julgamentos com outras pessoas, os mesmos que a personagem fazia e percebi como isso é errado. Eu fui, a cada página, entendendo que a gente acha que sabe demais e sempre fala demais levando isso em conta, diz que tomaria tantas e diversas atitudes caso algo assim nos acontecesse, mas quando sentimos na pele, não fazemos nada do que falamos. Observar pelos olhos de Lily que passara de observadora a vitima me fez perceber que deveríamos parar de falar tanta besteira. Hoje, compreendo que, acima de tudo, devo respeitar e oferecer ajuda, um ombro amigo, um lugar seguro e não minhas opiniões. No mais, esse livro foi um misto de emoções, eu queria o Ryle preso? queria sim, mas convenhamos que na vida real não seria tão fácil assim, nem sei se Lily sairia do hospital viva, pelo menos aautora deixa esse acalento para nossos corações; hoje em dia não sei se entra na minha lista de favoritos, apesar de um tema tão pesado, que pode gerar vários gatilhos, sinto que, se visto pelo lado certo, é um romance sobre força e atitude, a força para fazer a escolha certa em ocasiões extremamente doloridas e é isso que deve ficar, enfim... posso dizer, analisando minha vida que tenho um Atlas e não um Ryle e isso me deixou sossegada, já indiquei o livro para algumas mulheres que eu conheço e que eu espero que encontrem uma inspiração em Lily... e... assim como ela, consigam quebrar o padrão. 

E vocês? já leram? O que acharam? Me contem 💜😊

14.3.23

JANEIRO - Eu li "Poemas de se ler sem tempo" do Geraldino Brasil



Mais uma leitura desse primeiro mês do ano e, mais uma leitura rápida, foram 141 páginas lidas em dez minutinhos. O que dá para confirmar, de antemão, o título do livro, trata-se de um compilado de pequenos poemas no estilo haicai, escritos pelo poeta alagoano Geraldino Brasil (1926 - 1996). Sobre ele, foi um escritor que lançou várias obras o longo da vida e fez sucesso, sendo traduzido para outras línguas. Recomendo essa leitura para quem quer começar com calma, com algo leve. Dois haicais me chamaram a atenção, me tocaram bastante, na verdade. O primeiro "Espanto do menino" me fez refletir sobre como as enfermidades, as coisas ruins se tornaram normais no nosso dia, no nosso cotidiano, como nos adaptamos a elas.. a ponto de se tornarem parte da nossa rotina, como ver os meninos vendendo água nos semáforos, a senhora sentada ao pé do banco do Brasil em Garanhuns pedindo dinheiro, essas barbaridades que não eram para acontecer mas se acostumam a nossa vista. 


E, partindo para o meu lado escritor da vida, poetisa que sou, os escritos da página 34 também foram importantes pra mim, intitulado "Poeta" traz exatamente conclusões de uma poetisa iniciante, sobre a vida.

Vejam a força desse escrito, a veracidade dessas palavras;