22.3.26

Retratos ~ autoral

Apaguei a luz e me sentei.
Quando comecei a pensar
percebi que esse tempo perdido, em um livro, 
seriam capítulos sombrios de minha dramática história de vida.
Reflito.
Não consigo e não posso voltar atrás.
Meu eu está escondido, 
não o encontro e não vejo nada a ser feito
a não ser agarrar-se ao que ainda não virou um nada...
Olhe por dentro dos meus olhos...
consegues ver minha alma perdida?
Veja essa tristeza finalmente assumida... 
Não sei até quando aguentarei tudo isso, 
Ao perceber que nada é como dizem, 
percebo também que preciso de um lugar para me esconder...
Por isso escrevo agora, 
eu não estou sumindo...
eu mudei de lugar, 
me coloquei nas palavras.
Quero olhar essa dor, 
enxergá-la de fora, 
machucá-la 
e chorá-la, 
corroê-la, 
abafá-la, 
quem sabe sofrê-la... 
e... passá-la. 
Há quem diga que todo poeta é triste, 
mesmo que nem todo triste seja poeta...
Pois bem, não faço diferente, 
olhando esses retratos
Procurando o meu eu despedaçado.
Sou triste também. 

17.3.26

Coração x Palavras (autoral)

Ele não me obedece
então, mando nas minhas palavras
nelas eu posso o que eu quero.
Palavras que me tornam má e resoluta
dolorida, decidida, malcriada e cínica.
Nelas sou fúria, vitória
a que não sofre, a que vai embora...
Ele distorce o que eu digo
diz que tudo é disfarce, farsa.
Ele sofre, chora...
Mando nas minhas palavras
porque o coração tem personalidade própria. 


7.10.25

Assovio Azul - Crônica autoral

Acho interessante como algumas ações de pessoas desconhecidas podem mudar nosso dia de maneira inacreditável; Como numa certa sexta-feira considerada comum a muitos, existia uma minoria que aguardava ansiosa e tristemente a fila de espera para exames em um famoso hospital recifense, todos calados, ar pesado, suspiros que só faltavam dizer "O que eu estou esperando aqui? Minha sentença?" mas, um senhor de azul, cor marcante, até viva para o lugar, desconhecido para todos, (talvez não para as moças da recepção) ao adentrar e sentar para esperar a mesma "sentença" que tantos angustiosamente aguardavam, ele começa a assoviar e seu canto, tão calmo e alegre ao mesmo tempo, sem palavras, apenas uma simples e doce melodia harmoniosa, o único barulho ouvido na sala durante os 50 minutos seguintes, sem descanso, tocando e vibrando, levando a cada um de nós, presentes na sala, a quem sabe uma lembrança ou simplesmente uma paz, esse senhor, desconhecido, não sabe, mas sua melodia pôs um pouquinho de esperança em cada um dos 35 corações que ali estavam, obrigado senhor de azul por me levar nessa comum sexta-feira à uma época distante e boa, onde os problemas ainda não me atormentavam, a vida era boa, doce e bela, e extraordinariamente levada pelo lado bom, pelo lado vida, pelo lado azul...

31.8.25

Meu método de organização de leituras atual

Agosto foi o mês mais muxoxo do ano até agora, em relação as minhas leituras, só li um livro, apesar de ter começado vários, mas só terminei um, e, sendo bem sincera, quase nem termino, e o pior, ele nem estava na minha listinha. Mas, hoje, não tem resenha, resolvi dividir com vocês, o meu método de organização atual para minhas leituras. Pois bem, pensando em, finalmente, me deliciar com minha estante de livros que nunca tive tempo de ler por causa da rotina corrida que levava, fiz toda uma organização, montei um caderno de leituras, anotei o nome de todos os livros e, enfim, poderia, de fato, começar essas leituras que tanto me aguardavam. Fiz um lista em ordem alfabética e para não plantar discórdia na minha estante, resolvi que leria um de cada letra, seguindo a ordem que foram colocados lá, tem dado certo, até o momento, apesar de algumas surtadas, já se foram umas 89 leituras, ou seja, já se passaram algumas rodadas na minha estante. Atualmente estou na letra I, lendo Isaac Asimov, pra ser mais precisa. Não pense que tudo são flores, para acabar com o meu sossego surgiram os e-books da vida, que eu não gosto muito de ler, mas... minha condição pobre de ser me fez aderir, e indo além, surgiram os clubes de livros quais faço parte no momento, um virtual (O clube das clubetes) e um presencial que é o lindinho do clube do livro da minha escola, idealizado pela coord e vivenciado por mim e pela teacher de inglês junto com nossos leitores... como conciliar? Simples, continuo com minha organizaçao oficial, então, da minha estante eu sei que só lerei outro autor quando terminar o Isaac Asimov, e os referidos clubes tem cada qual suas datas, vejo o tanto de páginas e me organizo dentro do tempo entre os encontros. Eu amo ler, estar inclusa nesses ambientes não é um problema pra mim. Tem dado muito certo e agora, voltando com o blog vou contar as experiências desse novo modo de ler. 


22.11.22

Ponto ~ autoral

Olho pro nada 
e vejo um ponto, 
talvez não seja nada 
mas é um ponto 
e mesmo sendo um ponto 
me incomoda… 
Incomoda porque sei que onde quer que estejam, vêm de mim
são pedaços que perdi 
e que não me pertencem mais 
eles apenas se afastam a ponto de virarem um ponto 
e nada mais.