8.8.26

Eu li "O Olho de Vidro do Meu Avô" do Bartolomeu Campos de Queirós #3

 

Minha versão é da editora: Moderna - 2004
páginas: 48  - Minha avaliação: 5 ★

    "Um dia me falaram que a alma tem dois olhos. Com um, ela olha para o tempo, com o outro ela namora a eternidade"

      Quando peguei esse livro para ler confesso que não esperava muito da história e, bom, eu estava muito enganada! Há reflexões lindas ao longo de todo o texto, é uma leitura super rápida mas que fica em nossa mente por vários e vários dias, é muito legal quando o livro é assim. 
Bartolomeu foi um ótimo escritor, na minha humilde opinião, pois ele conseguiu fazer reflexões tão grandes com assuntos hordineiros e com uma linguagem super acessível, gostei muito da escrita dele, o olho de vidro do meu avô é muito poético.
    Nessa história nós somos apresentados às lembranças de um neto que tinha um avô cujo um dos olhos era de verdade e o outro de vidro - ou de mentira -, uma boa metáfora, nesse quesito. Esse neto, agora adulto, fica com o tal olho de herança e a história vai se desenrolando nesse sentido, com o olho vem as memórias, lembranças de um passado onde tudo era diferente, ele volta a infância e nós vamos acompanhando essas memórias e sentido nossa curiosidade aumentando a cada página. Não vou contar o final da história, mas achei que termina de forma duvidosa e nos deixa muitos, muitooooos questionamentos! 
     Além de tudo isso, quem conhece o conto "O espelho" de Machado de Assis, vai achar semelhanças dele com a história de Bartolomeu, principalmente se comparar a teoria da alma ter dois olhos com a o esboço de uma nova teoria da alma humana criado nesse conto. 

"Toda pessoa é gêmea de si mesma. Há sempre um outro escondido dentro de nós que nos vigia em silêncio" 

 

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